TRABALHOS LITERÁRIOS

POETAS DO ROMANTISMO BRASILEIRO


AUTORES ROMÂNTICOS


Gonçalves Dias

Orgulhoso de ter o sangue de índios, negros e brancos em seu corpo, Antônio Gonçalves Dias nasceu a 10 de agosto de 1823 no Maranhão e morreu a 3 de novembro de 1864. Gonçalves Dias foi um poeta romântico indianista e bacharel em Direito pela universidade de Coimbra. Sua poesia trouxe a admiração da crítica e do rei, que o nomeou para vários cargos públicos e lhe permitiu viver mais confortavelmente, tendo viajado pelo Norte do Brasil a serviço da corte. Também fez teatro. Recusado pela família de sua amada, casou-se com outra e, doente, viajou a Europa para se tratar. Quando o governo cortou o subsídio que lhe concedia em 1864, decidiu voltar ao Brasil. Na volta, morre no naufrágio do "Ville de Boulogne" por estar doente, já que foi abandonado de cama em estado deplorável enquanto todos os outros se salvaram. Alguns de seus poemas indianistas mais famosos são I-Juca Pirama e Os Timbiras.

Álvares de Azevedo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 1831, um gênio precoce que já falava francês, inglês e latim aos 10 anos de idade. Estudava Direito e participava de altas orgias em reuniões com outros grandes escritores românticos como seu amigo Bernardo de Guimarães. Além do maior poeta da tendência Mal do Século no Brasil, Álvares de Azevedo também escreveu contos e uma peça de teatro (Macário). A morte foi uma constante em sua obra, já que o irmão morreu prematuramente e ele sentia fortes dores no peito. De fato, morreu meses após completar o quarto ano, com prematuros 20 anos de idade, de um tumor na fossa ilíaca descoberto após um acidente de equitação. Dois anos depois sua obra romântica, dividida entre Ariel (o bem) e Caliban (o mal), passou a ser publicada. Foi o maior poeta brasileiro da tendência do Mal do Século. Escreveu o livro de contos (Caliban) Noite na Taverna e o livro de poesias Lira dos Vinte Anos.

Junqueira Freire

O monge beneditino Luís José Junqueira Freire (1832-1855) permaneceu enclausurado até 1854, atormentado pela falta de vocação e com uma sexualidade latente e reprimida. Seus poemas mostram um jovem angustiado, incapaz de seguir a vida religiosa e que vê na morte a única fuga (Evasão na Morte, característica típica da poesia Mal do Século).





Casimiro de Abreu

Comerciante, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em 4 de Janeiro de 1839 no município de Barra de São João (que atualmente leva seu nome), levou vida boêmia e morreu tuberculoso em 18 de outubro de 1860, três anos após voltar de Portugal, onde estava a negócios. Sua poesia não foi muito inovadora, sendo considerado mais ingênuo dos românticos. Conhecido como "poeta da infância", fala muito da inocência perdida, como mostra a passagem abaixo. Um dos motivos de sua nostalgia era a intransigência do pai, que o obrigou a se tornar comerciante ao invés de lhe permitir ser poeta.

Fagundes Varela
Luís Nicolau Fagundes Varela (1841-1875) foi um poeta romântico inspirado pelo byronismo. Boêmio, este estudante de direito que nunca conclui o curso perdeu seu filho ainda novo e da esposa o leva mais fundo à boêmia. Casando-se de novo, muda-se para Niterói e falece, alcoólatra e mentalmente desequilibrado. Considerado o menos ingênuo dos românticos, a perda do filho influenciou muito sua obra, sendo o Cântico do Calvário indicação disto. Segue uma passagem.




Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847 na cidade que hoje leva seu nome e morreu tuberculoso a 6 de julho de 1871. Tinha 15 anos quando se matriculou no curso de Direito em Recife, onde iniciou sua carreira poética, escrevendo poesia lírica e social (a social sendo a que mais o consagrou) a favor da abolição da escravatura, sendo por isso chamado de Poeta dos Escravos. Sua poesia lírica era menos idealizada que a de seus contemporâneos românticos, apresentando uma mulher mais sensual menos idealizada. Entusiasmou-se pelo teatro e casou-se com uma atriz chamada Eugênia Câmara, dez anos mais velha, que o abandonou mais tarde. Tempos depois do casamento, atira contra o próprio pé em uma caçada e tem o membro amputado. As caçadas tiveram sua origem justamente como escapatória das constantes brigas que o casal tinha começado a ter quando se mudaram para São Paulo. Mas após este infeliz acidente ainda pôde andar, ainda que com o auxílio de uma bengala e um pé de borracha. Em 1870 publica Espumas Flutuantes na Bahia, sua única obra poética publicada em vida. O que segue é uma passagem de seu célebre Navio Negreiro, parte de sua obra publicada postumamente em Os Escravos.


Romantismo - Prosa


“O índio vestido de senador do Império. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos burgueses”

--Oswald de Andrade

No Brasil, há uma urbanização do Rio de Janeiro, transformado em Corte, e cria-se uma sociedade consumidora em busca de entretenimento. Busca da “cor local”, com o espírito nacionalista em alta. Jornalismo tem grande impulso e surgem os folhetins, acompanhados pela sociedade carioca, notadamente as mulheres, com avidez.

Os romances tematizavam a descrição dos costumes urbanos ou das amenidades das zonas rurais e correspondiam às projeções dos conflitos emocionais dos leitores. Os personagens são idealizados e com os quais os leitores, principalmente jovens e mulheres, identificavam-se. Algumas obras fugiram um pouco desse esquema geral: Memórias de um Sargento de Milícias e Inocência.

Romantismo verde-amarelo


Temas da ficção romântica

passadista e colonial - O Guarani e As Minas de Prata de Alencar, As Mulheres de Mantilha e O Rio do Quarto de Macedo, Maurício e O Bandido do Rio das Mortes de Guimarães...

indianista - Iracema e Ubirajara de Alencar, O Índio Afonso de Guimarães

sertaneja - O Sertanejo e O Gaúcho de Alencar, O Garimpeiro de Guimarães, Inocência de Taunay, O Cabeleira e o Matuto de Távora

urbanos ou de costumes - várias obras de Alencar como as três mulheres: Diva, Lucíola e Senhora; além de Cinco Minutos, A Viuvinha, Sonhos D’Ouro e Encarnação

documento do Rio do tempo de D. João - Memórias de um sargento de Milícias


Autores

Joaquim Manuel de Macedo

Atravessou todo o movimento romântico e nota-se em sua obra um progresso na técnica literária. Era o autor mais lido no Brasil até o final da década de 40 com O Guarani de Alencar.

São temáticas comuns ás suas obras: namoro difícil ou impossível, presença de jovens casadoiras e estudantes, mistérios de identidade de personagens e identificação final, conflito entre dever e paixão, alguma comicidade, espécie de documento de costumes da época. A linguagem é simples com tramas fáceis, amor e mistério culminando com um final feliz.

Obras:

Romance - A Moreninha (1844), O Moço Loiro (1845), Os Dois Amores (1848), Rosa (1849), Vicentina (1853), O Forasteiro (1856), O Culto do Dever (1865), A Luneta Mágica (1869), As Vítimas Algozes (1869), O Rio do Quarto (1869), As Mulheres de mantilha 91870), A Namoradeira (1870).

Várias peças de teatro, a poesia A Nebulosa (1857) e outros escritos

Manuel Antônio de Almeida

Publica em folhetins Memórias de um Sargento de Milícias, obra totalmente inovadora para a sua época. Pode ser considerado o verdadeiro romance de costumes do Romantismo brasileiro, por não estar vinculado à visão burguesa. Retrata o povo em toda a sua simplicidade, malícia, humor e sátira. Sua descrição não se resume ao ambiente, mas introduz juízos de valor e crítica. Apresenta um anti-herói picaresco, que desde sua origem já está ligado ao real e ao humor. É considerado por muitos como um precursor do Realismo. Caracterizam a obra o estilo frouxo, linguagem por vezes até descuidada e um final feliz.

Obras:

Romance - Memórias de um sargento de Milícias (1852-53)

José de Alencar
Consolidador do romance, um ficcionista que cai no gosto popular. Sua obra é um retrato fiel de suas posições políticas e sociais: grande proprietário rural, político conservador, monarquista, escravocrata, burguês. Pode-se perceber o medievalismo no personagem de O Guarani, Peri (bom selvagem) que deveria respeitar a realidade social de que ao senhor de tudo deve-se obediência, respeito e lealdade.

Defende o “casamento” entre o nativo e o colonizador numa troca de favores (temática presente em O Guarani - Ceci e família e Peri e em Iracema com Moacir, filho de Iracema e Martim. Tudo isso traduzido numa linguagem coloquial, diálogos bem feitos por sua formação de professor de Português.

Sua vasta obra conta com romances urbanos, históricos, regionais e rurais, além dos indianistas. Iracema é uma obra que denota as grandes características de Alencar: paisagista e pintor de perfis femininos.

Obras:

Romances: Cinco Minutos (1856), O Guarani (1857), Viuvinha (1860), Lucíola (1862), As Minas de Prata (1862), Diva (1864), Iracema (1865), O Gaúcho (1870), A Pata da Gazela (1870), O Tronco do Ipê (1871), Sonhos D’Ouro (1872), Til (1872), Alfarrábios (1873), A Guerra dos Mascates (1873), Ubirajara (1874), Senhora (1875), O Sertanejo (1875), Encarnação (1893).

Algumas peças de teatro, crônicas e autobiografia, crítica e a poesia inacabada O Filho de Tupã

Visconde de Taunay

Autor de Inocência, romance regionalista de tom sóbrio e detalhista quanto á paisagem. Obra de pouca fantasia, mas com as relações entre paisagem e o meio bem definidas. Alguns aproximam este romance de um estilo mais realista-naturalista.

Obras:

Romance: A Mocidade de Trajano (1872), Lágrimas do Coração (1873)

Narrativas: Histórias Brasileiras (1874)

Comédia: De mão à Boca se Perde a Sopa (1874)

Drama: Narrativas Militares. Cenas e Tipos (1878), Quadros da natureza (1882), Fantasias (1882), Amélia Smith (1886)



Franklin Távora

Produz uma obra regionalista num tom de manifesto, mas sem muita repercussão da temática nordestina em O Cabeleira. Temática voltada para o banditismo como efeito da miséria, latifúndio, secas e migrações.

Obras:

Contos - A Trindade maldita (1861)

Romance - Os Índios do Jaguaribe (1862), A Casa de Palha (1866), O Cabeleira (1876), O Mulato (1878), Lourenço (1881)

Novela - Um Casamento no Arrebalde (1869)

Martins Pena

Ligado ao teatro, inaugura a comédia de costumes com uma sutil sátira social. Por isso sua obra foi aproximada de Memórias de um Sargento de Milícias. Autor com profundo grau de observação, trazendo à cena personagens típicos da sociedade da época.

Contexto Histórico

Com o incremento da industrialização e do comércio , notadamente a partir da Revolução Industrial do século XVIII , a burguesia , na Europa , vai ocupando e ideológico maior . As idéias do emergente Liberalismo incentivam a busca da realização individual , por parte do cidadão comum . Nas últimas décadas do século , esse processo levou ao surgimento , na Inglaterra e na Alemanha , de autores que caminhavam num sentido contrário ao da racionalidade clássica e da valorização do campo , conforme normas da arte vigente até então . Esses autores tendiam a enfatizar o nacionalismo e identificavam-se com a sentimentalidade popular . Essas idéias foram o germe do que se denominou ROMANTISMO .

Tais atitudes e outras conseqüentes delas foram se consolidando e, ao chegarem à França , receberam um vigoroso impulso graças à Revolução Francesa de 1789 . Afinal , essas tendências literárias individualistas identificavam-se amplamente com os princípios revolucionários franceses de derrubada do Absolutismo e ascensão da burguesia ao poder , através de uma aliança com camadas populares . A partir daí , o ideário romântico espalhou-se por todo o mundo ocidental , levando consigo o caráter de agitação e transgressão que acompanhava os ideais revolucionários franceses que atemorizavam as aristocracias européias . A desilusão com esses ideais lançaria muitos românticos em uma situação de marginalidade em relação à própria burguesia . Mesmo assim , devemos associar a ascensão burguesa à ascensão do Romantismo na Europa .

Em Portugal , os ideais desse novo estilo encontram , a exemplo do que ocorrera na França , um ambiente adequado ao seu teor revolucionário . Opunham-se naquele país duas forças políticas : os monarquistas , que pretendiam a manutenção do regime vigente , depois da expulsão das tropas napoleônicas que tinham invadido o país em 1806 , e os liberais , que pretendiam sepultar de vez a Monarquia . A Revolução Constitucionalista do Porto ( 1820 ) representou um marco na luta liberal , mas os monarquistas conseguiram manter o poder durante todo o período , marcando com perseguições as biografias de muitos escritores daquele país , quase sempre adeptos do Liberalismo .

No Brasil , o Romantismo encontrou um processo revolucionário em curso : a Independência de 1822 lançou ao país um novo desafio - afirmar-se como nação . Isto queria dizer construir uma identidade própria . Esta foi a principal tarefa dos nossos românticos .

Características

Evidentemente, o contexto social em que surgiu e se desenvolveu o Romantismo nos países europeus não é o mesmo que se vai encontrar no Brasil das primeiras décadas do século 19. Por exemplo, seria incorreto identificar sem restrições nossa aristocracia com a nobreza da França ou da Inglaterra, assim como não se pode falar, no sentido estrito, de capitalistas e operários em nosso país até cerca dos anos 1920.

De qualquer modo, o ideário romântico encontrou ressonância em nossos intelectuais do século 19, associado particularmente ao nacionalismo, na medida em que essa característica romântica se revelava útil e agradável a uma nação cuja independência acabara de ser proclamada e que, como vimos, conhecia um período de grande prosperidade.

A consciência que o brasileiro tem de si, nesse momento de origem, assenta-se em noções acerca de nossa realidade, acertadamente chamadas de "mitos" nacionais, pelo professor Soares Amora, em seu livro "O Romantismo", e que se referem, conforme o próprio Amora:

• à nossa grandeza territorial;

• à majestade e opulência da Natureza no Brasil;

• à "igualdade" racial gerada pela miscigenação (a união de todas as raças para a formação da nacionalidade);

• à benevolência e a cordialidade do homem brasileiro;

• à virtude dos costumes patriarcais (zelo da honra e da hospitalidade, por exemplo.);

• às qualidades afetivas e morais da mulher brasileira;

• à capacidade de alcançar um alto padrão civilizatório (em meio século);

• Ao pacifismo inerente à política externa do país.



Três fundamentos do estilo romântico : o egocentrismo , o nacionalismo e liberdade de expressão .

O egocentrismo : também chamado de subjetivismo , ou individualismo . Evidencia a tendência romântica à pessoalidade e ao desligamento da sociedade . O artista volta-se para dentro de si mesmo , colocando-se como centro do universo poético . A primeira pessoa ("eu") ganha relevância nos poemas .

O nacionalismo : corresponde à valorização das particularidades locais . Opondo-se ao registro de ambiente árcade , que se pautava pela mesmice , vendo pastoralismo em todos os lugares , o Romantismo propõe um destaque da chamada "cor local", isto é , o conjunto de aspectos particulares de cada região . Esses aspectos envolvem componentes geográficos , históricos e culturais . Assim , a cultura popular ganha considerável espaço nas discussões intelectuais de elite .

A liberdade de expressão : é um dos pontos mais importantes da escola romântica . "Nem regra , nem modelos "- afirma Victor Hugo , um dos mais destacados românticos franceses . Pretendendo explorar as dimensões variadas de seu próprio "eu", o artista se recusa a adaptar a expressão de suas emoções a um conjunto de regras pré-estabelecido . Da mesma forma , afasta-se de modelos artísticos consagrados , optando por uma busca incessante da originalidade .

Como decorrência da supremacia do sujeito na estética romântica , o sentimentalismo ganha destaque especial . A emoção supera a razão na determinação das ações das personagens românticas . O amor , o ódio , a amizade o respeito e a honra são valores sempre presentes .

Na sua luta contra a racionalidade , o artista romântico valoriza todo e qualquer estado onírico , isto é , dominado pelo sonho , pela fantasia e pela imaginação . São momentos de suspensão passageira ou definitiva da razão que definem o ser humano passional , dentro do Romantismo . Toda loucura é válida .

E se o mundo não corresponde aos anseios românticos , o artista parte para a idealização criando um universo independente , particular , original . Nesse universo ele deposita suas aspirações de liberdade e à perfeição física. A figura da mulher amada , por exemplo , será associada à sempre um exemplo moral a ser seguido pelos leitores, por sua inteireza de caráter e sua moralidade irrepreensível .

Se de um lado temos sempre a figura do herói associada ao Bem , de outro é quase obrigatória nos romances a presença de um vilão , que encarna o Mal . Essa concepção moral de oposição absoluta entre Bem e Mal recebe o nome de maniqueísmo . No romantismo , o maniqueísmo constituiu mesmo a espinha dorsal das narrativas .

Normalmente , associamos o Romantismo a imagens de inocência e lirismo . Mas ele tem sua face escura e tétrica e trágica. O pessimismo romântico aparece nas referências à morte e no arrebatamento passional , que às vezes conduz à loucura ou aos finais infelizes .

A Natureza , tão fundamental no Neoclassicismo , ganhará contornos particulares no Romantismo . No primeiro estilo , servia sempre como pano de fundo harmoniosos para o cenário bucólico e pastoril . No segundo , acompanha os estados de espírito do poeta ou das personagens dos romances . Assim , momentos de tristeza ou desilusão corresponderão a paisagens lúgubres ; bem como instantes de alegria aparecerão sempre associados a imagens luminosas .

O romântico , ao desenvolver um mundo particular , pode transformá-lo em seu espaço de fuga : é o escapismo . As saídas , para o artista , são aquelas apontadas anteriormente : o sonho , a morte , a Natureza exótica . Ainda dentro do escapismo , destaque-se um espaço particular de fuga : o passado . Ele pode aparecer de forma pessoal , associado à felicidade inocente da infância , ou de maneira mais social , nas freqüentes alusões à Idade Média .



A PROSA ROMÂNTICA BRASILEIRA

A prosa romântica européia se difundiu enormemente através dos chamados "folhetins", no século XVIII . Os folhetins eram capítulos de romances publicados regularmente nos jornais . Ganhando um público cada vez mais fiel e ávido pela continuação das tramas , o folhetim foi merecendo espaço cada vez maior . Tendo representado um importante mapeamento do gosto médio , serviu de guia para muitos romancistas .

As causas para tamanho sucesso são várias . Em primeiro lugar , as narrativas folhetinescas exigiam de seus leitores uma informação cultural mais restrita do que a arte clássica até então . Isto é , ninguém precisava conhecer mitologia grega para acompanhar os enredos . Em segundo lugar , as histórias tratavam de sentimentos gerais e facilmente identificados pelo público : amor , ódio , ilusão ,medo , coragem , etc . Quer dizer , não havia uma preocupação analítica muito profunda . Em terceiro lugar , os ambientes das ações nos folhetins eram sempre muito próximos do leitores , fazendo com que eles de identificassem rapidamente com a narrativa . Em quarto lugar , devemos considerar o fim do mecenato ( sistema no qual o artista era sustentado por um nobre ou um burguês rico ) que imperara nas artes até o período anterior . Isto fazia com que os escritores procurassem deliberadamente agradar ao público , porque dependiam do sucesso para a sobrevivência .

O folhetim herdou do teatro uma forte tendência à ação : muitos diálogos , uma sucessão de lances surpreendentes (revelações inesperadas , esconderijos de vários tipos ) , geralmente mostrados com grandes doses de emocionalismo e eloqüência . Muitos heróis dos folhetins ganharam vida própria , transformando-se em referências de comportamento para leitores e leitoras do mundo todo .

No Brasil , o quadro não foi diferente . Integrando-se no esforço nacionalista da independência do Brasil , o folhetim buscou ambientar as tramas nos três caminhos básicos de instrumento de educação moral e cívica para um público em plena formação cultural , cujas etapas anteriores de desenvolvimento literário tinham sido incipientes . É claro que essa moralização era feita a partir dos interesses das classes dirigentes . Valores como a felicidade familiar , o sucesso profissional , passam a fazer parte , explicita ou subterraneamente , das histórias românticas .

Autores

José de Alencar

Manuel Antônio de Almeida

Joaquim Manuel de Macedo



O REGIONALISMO ROMÂNTICO

A literatura regionalista desenvolveu-se no Roma$6tismo , inicialmente como parte do movimento geral , mas gradativamente como uma reação à pieguice exagerada . Nesse sentido , aproximou-se de uma visão mais realista do Brasil , embora dentro do projeto nacionalista .

A luta por uma imagem mais fiel do país como um todo visava combater as distorções que o estilo romântico impôs na abordagem dos costumes regionais . No entanto , com raras exceções os autores agrupados nessa linha não lograram produzir obras que superassem em qualidade aquelas dos escritores que eram alvos de suas críticas .


Autores da prosa Romântica

Bernardo Guimarães

Alfredo D'Escragnolle Taunay

Franklin Távora



O TEATRO ROMÂNTICO

O projeto nacionalizador que podemos verificar na poesia e na prosa românticas brasileiras imprime sua marca também no teatro , iniciado com Antônio José ou O poeta e a Inquisição ( 1838 ) , pelo mesmo Gonçalves de Magalhães que introduziu a poesia romântica na literatura brasileira .

O primeiro artista brasileiro que se interessou efetivamente pelo teatro , João Caetano ( 1808-1963 ) , considerava-o um "modelo de educação , capaz de inspirar na mocidade o patriotismo , a moralidade e os bons costumes ". João Caetano fundou uma companhia teatral , objetivando desenvolver a atividade entre nós . No entanto , esses princípios não o impediam de encenar preferencialmente autores estrangeiros . Seu senso nacionalista limitava-se à representação , buscando substituir os atores estrangeiros que atuavam aqui por brasileiros .

É nessa perspectiva que a obra de Martins Pena pode ser tomada como um marco inaugural do teatro genuinamente brasileiro . Sem ser desprovido da intenção educativa , sua preocupação básica era mostrar a realidade brasileira .

Autor

Martins Pena



Romance de Folhetins para entreter classe média

Em 1843, foi lançado "O Filho do Pescador", de Teixeira e Sousa, que alguns estudiosos chegaram a apontar como o primeiro romance brasileiro. Uma análise mais rigorosa, porém, coloca o texto mais perto do folhetim, do que do romance propriamente dito.

Em "O Filho do Pescador", personagens esquemáticas e sem substância seguem por uma imensa trilha de peripécias e crimes, à moda dos folhetins de mestres franceses como Alexandre Dumas ou Eugene Sue, ou ainda o autor do "Rocambole". Em reconhecimento a Teixeira e Sousa, entretanto, registre-se sua persistência no trabalho de romancista, que desenvolveu até a década de 1860.

De qualquer modo, pelo caráter folhetinesco da obra em que se encontra, a heroína de "O Filho do Pescador", loura e de olhos azuis, cede o lugar pioneiro na história de nosso romance à morena Carolina, criada por Macedo, em "A Moreninha", de 1844, sobre o qual vale a pena concentrar agora nossa atenção.

A "Moreninha"

Manuel Joaquim de Macedo escreve pensando no gosto do leitor, procurando oferecer-lhe aquilo que ele quer ler, da mesma forma como fazem atualmente os autores dos livros que chamamos best-sellers. Macedo não tem a preocupação de promover o questionamento e a reflexão no leitor. São os assuntos que interessam às classes alta e média cultas e semi-cultas da capital e das províncias brasileiras que estão nos seus romances, já a partir do primeiro deles. Isto foi a garantia de seu rápido sucesso.

Em poucas palavras, podemos falar de um "romance de entretenimento" cuja função é divertir e fazer sonhar, permitindo ao leitor identificar nos livros não somente um modo de vida semelhante ao dele, mas ainda este mesmo modo de vida pintado com as cores da imaginação. É o que acontece em "A Moreninha", em "O Moço Loiro" e em mais de uma dezena de romances posteriores. A tal ponto que os estudiosos da nossa literatura, ao se referirem à obra de Macedo, chegarem a falar que o escritor descobriu uma "receita" ou uma "fórmula" dos romances que agradavam ao público brasileiro.

Entre os ingredientes desta fórmula estão namoros difíceis de começar, paixões impossíveis, personagens misteriosos cuja identidade só se revela no final do romance, conflitos morais entre o dever e a paixão, personagens secundários com tiques engraçados, gozações e brincadeiras de estudantes despreocupados, além de situações equívocas e cômicas. Enfim, suas tramas se desenvolvem a partir de namoros e casamentos e são recheadas de mistérios, desencontros, fofocas, tal qual se encontram ainda hoje em livros e telenovelas.

Mas isto não quer dizer que quem leu um dos romances de Macedo já leu todos os outros. A receita geral, em cada livro, apresenta aspectos particulares: em "A Moreninha" é um juramento de amor feito no passado que gera o conflito que pode impedir a união de Carolina e Augusto, os apaixonados protagonistas do romance, cujo final tem uma grande reviravolta. Em "O Moço Loiro", a paixão entre Lauro e Honorina é tumultuada pela ocorrência de furto que gera uma acusação injusta, e o romance ganha características de uma história policial.

Um retrato fiel do passado

As obras de Joaquim Manuel de Macedo, independentemente de fórmulas, apresentam o universo das atenções e preocupações das classes alta e média da Corte brasileira em meados do século 19, com a fidelidade de um cronista que observa atentamente os costumes. Preocupado em fixar em seus escritos o modo de vida e os costumes da antiga capital da nação brasileira, criou uma obra que tem grande como documentário: nela vamos encontrar o cotidiano fluminense do Segundo Império, em seus mínimos detalhes, um retrato preciso desta época de nossa História.

A linguagem de Macedo é simples, próxima do coloquial, o que torna narração e os diálogos, além de acessíveis ao público leitor, cheios de leveza e vivacidade, adequando-se com perfeição ao tipo de romance que ele se propôs fazer. Iniciador do romance brasileiro, Joaquim Manuel de Macedo foi primeiro escritor a se dedicar a tipo de obra. Foi ele quem adaptou às características de nosso país e de nossa história o romance, surgido na Europa. É basicamente isso que o torna um marco na história da literatura brasileira.

Em 1843 foi publicado "O Filho do Pescador", de Teixeira e Sousa, que alguns estudiosos chegaram a apontar como o primeiro romance brasileiro. Uma análise mais rigorosa, porém, coloca o texto mais perto do folhetim, do que do romance propriamente dito.

Em "O Filho do Pescador", personagens esquemáticas e sem substância seguem por uma imensa trilha de peripécias e crimes, à moda dos folhetins de mestres franceses como Alexandre Dumas ou Eugene Sue, ou ainda o autor do "Rocambole". Em reconhecimento a Teixeira e Sousa, entretanto, registre-se sua persistência no trabalho de romancista, que desenvolveu até a década de 1860.

De qualquer modo, pelo caráter folhetinesco da obra em que se encontra, a heroína de "O Filho do Pescador", loura e de olhos azuis, cede o lugar pioneiro na história de nosso romance à morena Carolina, criada por Macedo, em "A Moreninha", de 1844.




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